Uma das perguntas mais frequentes no consultório é: “por que essa medicação funcionou tão bem para uma pessoa que conheço e não fez efeito em mim?”. A resposta tem a ver com algo simples de enunciar e complexo de resolver: nem toda medicação funciona da mesma forma para todas as pessoas.
O problema da tentativa e erro
Historicamente, a escolha de uma medicação em saúde mental se apoia na apresentação clínica, na história do paciente e na experiência acumulada. É um método legítimo, mas que às vezes exige ajustes sucessivos até chegar ao que funciona — e cada ajuste custa tempo e tolerância a efeitos indesejados.
O que a Medicina de Precisão propõe
A Medicina de Precisão aplicada à saúde mental usa exames específicos que podem considerar, entre outros fatores, características genéticas do paciente, ajudando a entender como cada organismo tende a responder a diferentes tratamentos. Com isso, o processo fica mais orientado por dados individuais e com menos tentativa e erro na escolha da medicação.
Por que a genética entra nessa conta
Boa parte das medicações é processada por enzimas do fígado. Variações individuais nesses sistemas influenciam a velocidade com que uma substância é metabolizada — o que pode significar, para uma mesma dose, concentrações muito diferentes entre duas pessoas. Isso ajuda a explicar por que alguém sente efeitos indesejados com doses baixas enquanto outra pessoa não responde a doses habituais.
O que o exame não faz
É importante ter expectativas corretas. O exame:
- Não dá um diagnóstico. O diagnóstico continua sendo clínico.
- Não escolhe a medicação sozinho. Ele é mais um dado dentro da avaliação.
- Não substitui o acompanhamento. A resposta ao tratamento continua sendo avaliada consulta a consulta.
Ele é uma ferramenta de apoio à decisão — valiosa justamente porque acrescenta informação individual a uma escolha que antes dependia só da observação clínica.
Para quem costuma fazer mais diferença
O recurso tende a ser especialmente útil quando já houve resposta insuficiente a tratamentos anteriores, quando surgiram efeitos indesejados importantes com doses habituais, ou quando há uso simultâneo de várias medicações.
Uma decisão conversada
A indicação do exame é sempre discutida em consulta, considerando o momento do tratamento e o que se espera ganhar com ele. O objetivo é o mesmo de todo o cuidado: um tratamento mais individual, mais assertivo e com menos desgaste para quem está sendo tratado.
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O Dr. Kiffer Alves Moraes é médico da saúde mental e atua na área da psiquiatria desde 2012, com atendimento presencial em Carangola (MG) e em Alegre (ES), além de consultas on-line com horário marcado. Agende sua consulta e converse sobre o que você está sentindo.
